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Mesmo que não fique... o sol sempre volta

E no segundo em que me encontrava, no único lugar que hoje é possível tê-lo meu novamente - Os meus sonhos - Fui despertada pelo toque do celular que ainda tocava nossa canção. Atendi ainda sonolenta... Era a tua voz avisando que estava em minha porta. Levantei meio no susto, meio zonza, descabelada, inxada e, quando abri a porta... Aquele sol que há  dias eu esperava voltar, irradiou diante do teu sorriso ao me ver.

Te convidei para entrar e você, sem exitar, aceitou imediatamente. Seguimos juntos até o interior da casa e ao ultrapassarmos a porta, os nossos olhares se cruzaram e foram necessários poucos segundos para que nossos corpos se atraíssem feito ímã. Nessa hora o meu tempo parou...

Pela primeira vez senti o meu mundo se comprimir, ficar pequeno a ponto de caber naquele abraço. Abraço desesperado, capaz de acelerar um coração na mesma velocidade do Shinkansen. Capaz de fazer com que dois corpos se aproximassem tanto, que um pouco mais de força, penetraríamos um no outro formando de nós, apenas um. Era um misto de saudade altamente exagerada com o medo de largar e perder novamente. Era o abraço mais gostoso e mais triste dos últimos tempos.


Eu te agarrava tão forte, queria a todo custo ter você colado em mim, sentir o teu calor, grudar o teu cheiro em mim, o meu cheiro em ti, misturar o teu cheiro ao meu e sentir aquela fragância que é nossa. As nossas respirações ofegantes e o nervosismo em perceber que eu precisava te soltar. O tempo precisava voltar a correr...


Sentados um de frente pro outro, meios perdidos, sem saber o que dizer e como agir. Tudo que eu queria era correr pros teus braços, encaixar-me em você ali mesmo, naquela sala onde diversas vezes serviu de cenário para que nós dois matássemos nossos desejos mais íntimos. Te olhava e conseguia enxergar minhas mãos despindo você rapidamente. A minha boca sentindo novamente o teu gosto. A tua vontade de mim, te fazendo ter pressa em me sentir. As tua mãos me segurando com força e guiando cada movimento meu em tua direção, apenas pela minha cintura...


Mas não devíamos. Os nossos olhos gritavam por isso enquanto os nossos corpos se esforçavam na tentativa de conseguir se contêr. Ao percebermos que as nossas forças se esgotavam, covardemente decidimos nos despedir, tornarmos defesos de nossos sentimentos e desejos.

A nossa cautela em não correr o risco de cerder a nós, ou quem sabe o medo de não resistir, impossibilitou que mesmo ainda ocultos aos olhos mundanos, nos permitíssemos que outro abraço como o do reencontro se repetisse no momento da despedida. Seria arriscar demais, exigir demais de forças que já estavam tão enfermas.


Te acompanhei até o portão, me despedi e rapidamente entrei, tentando não olhar pra trás. Não queria ver a nuvem voltar e encobrir novamente o meu sol... Eu preferia guardar na lembrança, a imagem do teu sorriso, iluminando mais uma vez a minha vida.


Dila Mota

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